Engenharia Reversa do "Boundary Layer Module" - Parte 2
Nesta segunda postagem da série sobre a engenharia reversa do programa Boundary Layer Module (BLM) é detalhada a transformação de coordenadas da equação da QML (balanço da quantidade de movimento linear) do domínio físico para um domínio transformado. O objetivo dessa transformação é não resolver o problema no domínio físico, em geral de geometria complexa, mas sim em um domínio transformado, mais simples e de dimensões unitárias. A estratégia consiste em encontrar a equação no sistema transformado que é análoga àquela do domínio físico. Parte da estratégia é selecionar uma função corrente que permite resolver a equação da QML simultaneamente com a equação da conservação da massa.
A primeira parte da postagem pode ser lida neste link, por isso aqui a equação da QML será apresentada sem maiores detalhes e concentrar-se-á no processo de transformação de coordenadas. A nomenclatura das variáveis empregadas aqui é aquela tradicionalmente utilizada na literatura e pode ser encontrada no link supracitado.
A equação aproximada da camada limite que contabiliza o balanço de quantidade de movimento linear para escoamentos turbulentos de fluido compressível em coordenadas retangulares (k=0) e axissimétricas (k=1) é
Na corrente livre (escoamento invíscido), vale a Equação de Euler:
O tensor de tensões de Reynolds, que representa as flutuações turbulentas pode ser expresso por
O primeiro passo é escolher a forma da variável dependente definindo uma função corrente ψ (psi) de forma que a equação da conservação da massa
seja automaticamente satisfeita. Em Nickerson et al. (1985, part 2, p. 43) ψ é dada pela Eq. (5), de forma que as relações dadas pela Eq. (6) atendem à equação da conservação da massa, Eq.(4).
Em paralelo à transformação de coordenadas, este tópico exemplifica a técnica de solução de equações diferenciais denominada Solução por Similaridade. Neste método, a equação diferencial parcial que se deseja resolver é substituída por uma equação diferencial ordinária. Isso é feito adotando-se uma variável similar, que descreve como ambas as variáveis independentes da equação diferencial parcial original se relacionam entre si. Aqui utilizaremos a variável η=η(ξ(x),y) (eta) para representar essa variável similar. A sua relação com as demais variáveis do problema pode ser vista na Figura 1, onde ψ (psi) é a função corrente, descrita mais adiante no texto.
Já eta é função de x e y, portanto carrega a informação de como a camada limite de velocidade (no caso da equação da QML) se desenvolve a partir do ponto onde se forma.
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A fim de organizar a dedução, agora são calculadas todas as derivadas que aparecem na Eq. (8) em termos das variáveis transformadas. Na Eq. (9) aparece uma derivada de eta em relação à csi mantendo y constante que foi chamada de A. Lembro que eu não encontrei nenhum indício dessa derivada ao ler a documentação do TDK (NICKERSON et al.; 1985). Diferente do que é feito aqui, lá eram dadas apenas as equações no domínio físico e no domínio transformado, sem mostrar os passos intermediários. Naquela ocasião eu cheguei à conclusão que A deveria se cancelar no final do processo de transformação e foi necessário pôr fé neste pressuposto para prosseguir com os cálculos, posteriormente recompensados, como veremos no final da dedução.
∂ψ/∂x:

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